Relação Escola - Família
18-09-2017

Hoje em dia existe cada vez mais a necessidade de a família estar em sintonia com a escola no processo de educação dos filhos. Dois contextos educativos distintos, altamente complexos e autónomos, mas que não conseguem cumprir os seus objectivos gerais um sem o outro, pelo facto da sua missão ser comum:
Promover o desenvolvimento global e harmonioso da criança/adolescente/jovem
Nos últimos tempos, temos assistido a inúmeras reflexões, investigações e trabalhos de prestigiados autores sobre o papel da família na escola, assim como, mais recentemente, do modo de envolvimento da família na escola e os enormes benefícios que daí advêm. O mesmo se passa com a atenção dada pela comunicação social, pelos discursos políticos e legislação publicada, dando à família um papel preponderante na vida escolar e no exercício das competências de parentalidade. De entre as tarefas que integram a função parental, o processo educativo dos filhos é, sem dúvida, o de maior complexidade. Este processo assenta em determinados valores que pais e mães consideram fundamentais, transmitem e procuram que os filhos interiorizem. Esta transmissão de valores passa de geração em geração e é essencial para a orientação e determinação do comportamento individual e social e consequentemente da socialização, cada vez mais condicionada pela influência de factores externos em que a escola, os amigos e os media têm um papel preponderante, tendo em vista o bem estar e a plena integração na sociedade.A enorme evolução em termos de desenvolvimento físico, psicológico e social que se opera nas crianças dos 5 aos 12 anos faz com que este período se constitua como um verdadeiro desafio para si próprio e para todos os educadores, estando os pais na primeira linha de actuação, seja qual for a condição ou ciclo de vida em que se encontrem.
Assim, as respostas parentais, no sentido de promover e conduzir o desenvolvimento, orientar, disciplinar e alterar comportamentos, devem resultar de atitudes de reflexão, confiança, cooperação e flexibilidade sem pôr em causa os valores fundamentais da família e a sua integridade.Por seu lado as escolas, tal como as famílias têm sofrido nas últimas décadas inúmeras transformações com o objectivo de oferecer maior qualidade de ensino e melhores resultados académicos, que têm levado a uma permanente necessidade de adaptação oscilando na promoção de equilíbrio de modelos de funcionamento e gestão que pretendem conciliar princípios educativos de tradição/inovação; exigência/tolerância; autoridade/cooperação; identidade/multiculturalidade; disciplina/liberdade; autonomia versus independência do poder central e das decisões políticas em constante mudança. Os professores, no terreno, têm sido confrontados com este movimento, nem sempre fácil de acompanhar e integrar no processo de ensino/aprendizagem e no seu funcionamento pessoal e profissional.As mudanças organizacionais e adaptações aos diferentes ciclos de vida dos diferentes tipos de famílias, são uma constante na sociedade e na vida das crianças e jovens, podendo constituir-se como espaços críticos de evolução e desenvolvimento humano que se pretende harmonioso e saudável, apesar dos constrangimentos e dificuldades com que se possam deparar nesse processo. Verifica-se assim, uma necessidade premente de comunicação positiva e diálogo aberto entre o espaço casa e o espaço família, em que cada um contribua activamente e construtivamente no processo de desenvolvimento do indivíduo. Efectivamente, como qualquer relação de inter-ajuda entre contextos tão diferentes, os alicerces do seu funcionamento têm que partir de uma base de confiança e desejo de cooperação, em que os papéis de cada agente educativo (famílias, técnicos, educadores) estejam bem definidos, permitindo na relação salvaguardar o respeito pelos espaços de cada um e a identificação fundamental das necessidades dos educandos e das suas famílias, que são como sabemos muito díspares, exigindo respostas diversificadas.Desta reflexão surge naturalmente o incontornável papel dos directores de turma e professores titulares de turma na agilização do processo educativo/formativo da criança/jovem/aluno.
O entendimento do sistema de relações que está em jogo na vida de uma criança necessita de uma análise atenta por parte dos adultos que a rodeiam (pais, professores, médicos, psicólogos, etc.) como figuras de segurança capazes de ajudar e conduzir o ser em crescimento e desenvolvimento que é o seu objecto de intervenção - o indivíduo.Numa desejável comunicação eficaz, interessa perceber e respeitar aquilo que é o papel de cada contexto educativo, fomentando uma relação positiva, assente numa parceria sólida, sabendo que o sucesso académico e pessoal depende em grande parte do envolvimento e importância que os pais dão à escola, no diálogo que estabelecem com os professores e na confiança mútua.Convém que os pais conheçam o projecto educativo assim como as regras de funcionamento da escola dos seus filhos, disponibilizando-se para uma participação activa na condução do processo educativo em parceria com os restantes agentes educativos na base da inter-ajuda. Assume igual importância a transmissão por parte dos pais, de segurança e confiança á criança que enfrenta um novo e importante desafio na sua vida, com natural inquietação e algum receio, mas que deverá transformar-se em motivo de satisfação e alegria.
Efectivamente, trata-se do sucesso do futuro dos filhos de cada um que, na sociedade actual, depende de todos nós.
Dr.ª Célia Alverca | Psicóloga Educacional
